Profissionais realizam workshop sobre famílias de doadores

(04/04/2017) Profissionais do Serviço Social e da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HC da Unicamp realizaram na manhã desta quarta-feira (5/4), o 1º workshop sobre cuidados com as famílias de doadores de órgãos. O evento, gratuito e aberto ao público, aconteveu no anfiteatro da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).

A proposta do workshop foi difundir o processo de doação, com especial ênfase nos cuidados com as famílias dos doadores após o consentimento. Com uma programação que incluiu palestra e mesas de debate sobre o acolhimento social e cuidado com os familiares, o evento apresentará a proposta para a criação da Rede de Cuidado como uma nova tecnologia de saúde para o SUS. 

No ano de 2016, o Hospital de Clínicas da Unicamp bateu recorde de transplantes, ao alcançar 351 procedimentos, maior número na história da instituição desde 1984, quando as cirurgias iniciaram. A viabilização de um transplante só é possível através da identificação de potenciais doadores, situação que leva aos testes, comprovação, notificação de morte encefálica, e, principalmente, envolve a abordagem familiar que busca autorização para a doação. 

Segundo a idealizadora do projeto, Marli Elisa Nascimento Fernandes, a atividade é uma ação devolutiva para famílias que mesmo em um momento de grande dor e luto, dão o consentimento para a doação de órgãos. “Nós percebemos que, muitas vezes, as famílias se sentem desamparadas após a doação, portanto, devemos criar formas de cuidar desses familiares mesmo depois da morte do doador”.

A Rede de Cuidado surgiu como proposta da tese de doutorado de Marli, realizada entre 2012 e 2013. Na época, a assistente social concluiu que com estratégias e ações de acompanhamento psicológico e social com famílias, é possível aumentar o índice de doações além de fortalecer vínculos familiares pós falecimento.

A assistente social chegou a consultar a Organização Nacional de Transplates (ONT) da Espanha, a maior referência mundial em transplantes, hoje com mais de 35 doadores por milhão de habitantes (mais que o dobro do Brasil). A resposta foi que naquele país não há acompanhamento pós-doação, consoante proposto por Marli. “Nosso projeto é portanto pioneiro”, comemora.
 
“Se não houver cuidado com as famílias, dificilmente haverá doação”, alerta Marli, que atua como supervisora da Área de Internação do HC e integra a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos para Transplante, vinculada à OPO.

No workshop também estiveram presentes profissionais do Gastrocentro, do transplante hepático, da capelania do HC, da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), do Departamento de Saúde da Prefeitura de Campinas e da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social.

A OPO do HC

O Brasil é referência em transplantes e, atualmente, mais de 95% deste procedimento é financiado pelo SUS, que é o maior sistema público de transplantes do mundo.
 
Apesar disso, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) aponta que o país tem 44% de recusa familiar em relação à doação e há hoje 13 doadores por milhão de habitantes. “Esses dados estão muito aquém das necessidades dos pacientes em lista de espera. Isso mostra que é muito difícil conseguir um transplante”, afirmou Marli.
 
A OPO surgiu em 1993 e, após a regulamentação da lei de doação em 1997, ela teve papel fundamental para o desenvolvimento da captação e transplantes da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Atualmente, essa unidade é considerada a primeira em captação das centrais no interior de São Paulo.
 
A OPO abrange em média 124 municípios e trabalha com a notificação de potenciais doadores. Possui uma equipe multiprofissional que faz a entrevista com as famílias e, após a família consentir a doação, a equipe notifica as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) para que os pacientes que estão na lista de espera tenham compatibilidade para receber o órgão.

INFORMAÇÕES GERAIS:
Data: 05 de abril de 2017 (4ª feira)
Horário: 9h00h às 13h30h
Local: Anfiteatro da Legolândia da Faculdade de Ciências Médicas
Inscrições pelo site: http://www.fcm.unicamp.br/eventos/evento/73

Caius Lucilius  e Caroline Roque
Com informações do texto de Isabel Gardenal

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