Novas cirurgias endoscópicas revolucionam a área de gastro

(02/07/2009) A videolaparoscopia, cirurgia minimamente invasiva, trouxe grande revolução à medicina, a partir da década de 80. Particularmente na área de gastrocirurgia, ela garantiu que as cirurgias que necessitavam de grandes incisões pudessem ser realizadas com muita segurança. A técnica, no entanto, ficou restrita aos procedimentos cirúrgicos de causa benigna, como a colecistectomia (retirada da vesícula biliar em pacientes com cálculos). Hoje, com o avanço da tecnologia, ela já é indicada para o tratamento de doenças malignas. E os seus benefícios, até o momento, não são apenas estéticos. Conseguiram reduzir complicações pós-operatórias e diminuição da dor no pós-operatório, tempo de internação e retorno às atividades profissionais mais precocemente, além de diminuir custos financeiros e sociais, quase tudo feito ambulatorialmente.

E os avanços não param por aí. Segundo o gastrocirurgião do Hospital de Clínicas da Unicamp, Elinton Adami Chaim, a “cirurgia minimamente invasiva”, aquela que ajuda a evitar intervenções em uma grande abertura cirúrgica, também estão presentes na cirurgia bariátrica. Em breve, ele conta, a Unicamp se reunirá com um especialista de São Paulo para desenvolver uma pesquisa conjunta sobre o stomaphyx, um novo procedimento endoscópico reservado para diminuição do estômago, ainda em estudo, que tem indicação para casos especiais, quando ocorre falha no resultado da cirurgia bariátrica. Inédita no Brasil, a técnica – que atua no controle da saciedade – facilitará a vida de pacientes obesos que, operados, voltaram a ganhar peso. Por aproximação tecidual, feita pelo stomaphyx, é introduzido um endoscópio flexível pela boca até o estômago, que transporta uma câmera de fibra óptica e uma ferramenta cirúrgica. O tecido do estômago é obtido por sucção pelo dispositivo e por volta de 35 prendedores são colocados em diferentes pontos da parede do estômago. São criadas pregas nos tecidos, que reduzem o tamanho do órgão.

Esse é um caso. Por outro lado, Chaim relata que uma série de cirurgias que hoje contam com o auxílio de minilaparotomia, efetuadas pela abertura da cavidade abdominal, são realizadas por uma pequena incisão, mas que, em hospitais públicos, o SUS (sistema único de saúde) ainda não autoriza o seu pagamento, sobretudo nos casos de cirurgias de obesidade, devido ao seu elevado custo em relação à cirurgia aberta. Alguns desses procedimentos contam com o auxílio de robôs, empregados nas cirurgias robóticas, que lamentavelmente também envolvem alto custo.

Conforme o gastrocirurgião, outra nova revolução cirúrgica colocou os médicos do aparelho digestivo diante de alguns procedimentos que são feitos através de orifícios naturais, os Notes, adotados para a retirada da vesícula biliar e do apêndice, por meio de uma endoscopia digestiva alta ou baixa com pinças especiais introduzidas no estômago, no reto e na vagina. “Ressalto, porém, que o Notes é uma técnica ainda em aperfeiçoamento, mesmo demonstrando ser possível a sua realização”, informa.

Auxílio tecnológico – A cirurgia de videolaparoscopia é realizada no HC da Unicamp para colecistectomia desde 1991, sendo ampliada com o tempo para outros procedimentos como cirurgia de hérnia hiatal, cirurgias de estômago e esôfago, intestino grosso, cirurgias de urgência e emergência e outros. Resultado: tem ocorrido menor traumatismo, consequentemente menor aderência interna e menor índice de hérnias incisionais. Chaim afirma que esta tecnologia somente foi possível com o desenvolvimento da fibra óptica e de pinças especiais, mesmo com o seu custo restritivo no serviço público. “Com o seu desenvolvimento, os custos caíram, e com o treinamento das equipes cirúrgicas, as indicações foram ampliadas em todas as faixas etárias", acrescenta o médico, “obviamente devendo ser avaliado caso a caso”, ressalva.

 

Isabel Gardenal (texto), Neldo Cantanti (fotos) e Everaldo Silva (edição de imagens)
ASCOM

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