A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) promoveu, nesta quinta-feira (30), um simpósio sobre prevenção e tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC), em referência ao Dia Mundial do AVC – principal causa de morte no Brasil. O evento, articulado pelo presidente da Alesp, André do Prado, reuniu diversos palestrantes e após debates foram entregues certificados de reconhecimento público as entidades de excelência que atuam com políticas publicas de conscientização, prevenção, urgência e tratamento de AVC.
O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp foi um dos contemplados com o certificado. A professora Elaine Cristina de Ataíde, superintendente do HC da Unicamp, esteve presente no evento e recebeu o certificado das mãos do presidente da Alesp, André do Prado. O médico Wagner Mauad Avelar, responsável pelo serviço de neurologia vascular do HC da Unicamp também compareceu ao evento na Alesp. O HC da Unicamp é credenciado como uma Unidade de AVC nível III e um dos um dos 12 hospitais no país credenciados pelo Ministério da Saúde para o uso de trombectomia mecânica para tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVCi) isquêmico agudo por arteriografia.
“Esse reconhecimento é fruto do empenho de muitos profissionais que, todos os dias, fazem do HC um exemplo de comprometimento, ciência e humanidade”, disse Elaine.
Na abertura, André do Prado ressaltou o papel central da Alesp na elaboração e fiscalização de políticas públicas de saúde. Ele citou a implementação da tabela de remuneração do Sistema Único de Saúde no Estado – o SUS Paulista – e a destinação pelos deputados estaduais de emendas impositivas a hospitais filantrópicos. “Mais do que aprovar leis, cabe à Assembleia definir prioridades orçamentárias que garantam o financiamento estável e equitativo para a rede de atendimento, desde a atenção primária até os centros de alta complexidade que tratam emergências neurológicas, como o AVC”, sublinhou.

Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em AVC, o neurologista Octávio Pontes afirmou que 90% dos casos da doença podem ser prevenidos por meio do controle de fatores de risco, como pressão alta, sedentarismo e colesterol alto. Ele declarou que o acesso rápido a hospitais com tomografia é crucial nas emergências. “O desafio é o acesso, colocar o paciente no lugar certo, na hora certa. Isso tem que ser previsto no sistema de regulação de urgência”, disse, ao defender a ampliação de centros especializados com equipes multidisciplinares. Ele propôs educação comunitária para reconhecer os sintomas.
A neurologista Elizabete Liso, representante da Secretaria Estadual de Saúde (SES/SP), defendeu o uso da telemedicina para facilitar o acesso a especialistas em áreas remotas, onde a escassez de neurologistas preocupa a gestão. Ela anunciou que a pasta trabalha para fortalecer a saúde digital com a implementação de hubs de atendimento. A médica apontou como desafios a avaliação da infraestrutura regional, a formação de neurologistas e a articulação entre SAMU, UPAs e centros de reabilitação para otimizar altas e encaminhamentos de pacientes com AVC.
As palestras abordaram temas como o financiamento público, o uso de telemedicina para ampliar o acesso a especialistas, a expansão de centros de atendimento especializados e a educação comunitária em saúde para o reconhecimento imediato dos sintomas.

