Mais de 350 enfermeiros e profissionais dos hospitais de ensino do Estado de São Paulo se reuniram nos dias 13 e 14 de novembro na Unicamp para tratar da humanização e inovação no cuidado e o equilíbrio necessário entre tecnologia e relações humanas. A aula magna foi proferida pela psicóloga, treinadora e consultora executiva Yeda Oswaldo, do Instituto ISI.
A consultora disse que hoje vivemos num mundo disruptivo, ansioso, frágil, não-linear e cheio de incompreensão, mas que também quer diversidade, equidade e inclusão. Segundo a Yeda, a inovação não irá substituir a essência do cuidar, pois a enfermagem tem o poder de transformar a dor em confiança, o medo em conforto e a incerteza em presença.
“O coração e a mente representam o cuidar e o inovar e ambos podem se correlacionar para trazer mais segurança e tecnologia aos pacientes”, apontou a consultora.

Durante a mesa de abertura do evento, o enfermeiro Joaquim Antonio Graciano, coordenador do Departamento de Enfermagem do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, disse ser uma honra a Unicamp sediar pela quinta vez a 16ª edição do Encontro de Enfermeiros de Hospitais de Ensino do Estado de São Paulo (ENFHESP).
Graciano lembrou que o encontro foi idealizado em 1991 pelo Departamento de Enfermagem do HC da Unicamp e que já passou por diversos hospitais de ensino, sempre buscando alinhar conhecimentos, discutir as dificuldades e propor melhorias para os hospitais públicos de ensino de São Paulo.
“Esse evento é um compromisso de gestores que defendem uma assistência e um ensino de qualidade não só para a enfermagem, mas na formação de médicos, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionista e profissionais do ambiente hospitalar. Nossa atuação repercute no Brasil e no exterior, porque os profissionais formados em nossos hospitais vão para outros estados ou fora do país e levam o que aprenderam aqui”, ressaltou Graciano.
Roberta Cunha Mateus Rodrigues, diretoria da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp disse que em um mundo cada vez mais tecnológico, no qual a inovação desempenha um papel fundamental na melhoria dos serviços de saúde, não se pode esquecer que a essência do cuidado perpassa as relações humanas.
“A humanização do cuidado não é uma prática, mas um compromisso. É enxergar cada paciente como um ser humano único, singular, com suas crenças, valores e visão de mundo. A tecnologia é uma poderosa aliada da saúde, mas jamais o olhar científico, clínico, crítico-reflexivo, sensível, empático e solidário que caracteriza o cuidado de enfermagem”, salientou Roberta.

A superintendente do HC da Unicamp, Elaine Cristina de Ataíde, é uma entusiasta da inovação e do uso da tecnologia para permitir que o profissional de enfermagem e outros também, tenham mais tempo para cuidar do paciente.
“Muitas vezes, o que o paciente precisa é ser ouvido e tocado… ele só quer atenção… E se, com a tecnologia, pudermos deixar que o profissional de enfermagem dedique mais tempo ao paciente, nós vamos conseguir levar mais humanização e melhorar o atendimento que prestamos a eles”, ressaltou Elaine.
Luiz Carlos Zeferino, diretor da Diretoria Executiva da Área da Saúde (DEAS), representou o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, na abertura do 16º ENFHESP. Zeferino deu um panorama atual do complexo da área da saúde da Unicamp que completa 40 anos e apontou os desafios do atual modelo de gestão. “É necessário sermos ousados em buscar transformações”, disse Zeferino.
Sobre a incorporação de tecnologia na área da saúde, particularmente a inteligência artificial (IA), Zeferino disse que a IA vai mexer com os processos de trabalho e caberá aos profissionais, entre eles os enfermeiros, saber o que é certo e o que é errado fazer com essa poderosa ferramenta que tende a ter um alcance infinito. “O importante é usar a tecnologia em benefício do paciente”, aconselhou Zeferino.









Trabalhos científicos
Durante os dois dias do 16º ENFHESP houve a apresentação de pôsteres e de trabalhos orais. No total, 199 trabalhos foram apresentados no Centro de Convenções da Unicamp. No final do evento, houve a premiação dos três melhores trabalhos em cada uma das categorias.
Na categoria pôster, o terceiro lugar ficou para o trabalho Gestão de EPIS no período pós-pandemia: Análise comparativa de consumo e custos. Os autores são Karen Aline Batista da Silva, Débora Cristina Paulela, Ana Lúcia Gregório, Telma Aparecida de Camargo, Lis Amanda Ramos Toso, Karina Alexandra Batista da Silva Freitas, Talita Oliveira de Lima e Vanessa Franco, profissionais do Hospital da Faculdade de Medicina de Botucatu.
O segundo lugar ficou para o trabalhoDo desacesso ao acolhimento: Narrativas transtravestigêneres sobre cuidado em saúde. Os autores são Eliza Vitoria de Lima, Nubya Sete Anzolin, Dalvani Marques, alunos da Faculdade de Enfermagem da Unicamp.
E o primeiro foi para os profissionais do HC da Unicamp Edilson Tadeu Andrade, Karla Carolina Mudo Rinaldi, Juliane Custodio de Andrade, Siliany de Fátima Jandotti Pesconi, Renata Bigatti Bellizzotti Pavan, Elen Recco, Edmar Cesar Cunha e Ana Paula Gadanhoto com o trabalho Punção Venosa Ecoguiada com Cateter Periférico Longo: Inovação para Terapia Intravenosa em pacientes com difícil acesso venoso.
Na categoria oral, o terceiro lugar foi para os docentesAna Cláudia de Souza Costa, e Edinêis de Brito Guirardello, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp, com o trabalho Relações entre bullying, burnout, satisfação no trabalho e resiliência de profissionais da enfermagem.
Segundo lugar foi para o trabalho Impacto da limpeza na contaminação microbiana do ar em salas operatórias: Um estudo piloto, dos alunos da Faculdade de Enfermagem da Unicamp Mauro Donisete Pressato Junior, Angelica Zaninelli Schreiber, Flávio Andrade Oliveira, Kazuko Uchikawa Graziano, Camila Quartim de Moraes Bruna, Vanessa Aparecida Vilas Boas, Caroline Lopes Ciofi Silva.






