R$ 4 milhões em equipamentos para o centro cirúrgico do HC


Com a chegada de seis sistemas de micromotores cirúrgicos, que serão utilizados em cirurgias e microcirurgias de diversas especialidades, o Hospital de Clínicas da Unicamp consolida o maior investimento na última década, em equipamentos para os centros cirúrgicos da instituição. Foram cerca de R$ 4 milhões em pelo menos 120 tipos de equipamentos e instrumentais variando de uma pequena pinça para microcirurgias até os modernos arcos cirúrgicos. Outros R$ 6,7 milhões estão assegurados em convênios formalizados com o Ministério da Saúde. São realizados no HC todos os anos, cerca de 14,5 mil cirurgias distribuídas entre um centro cirúrgico geral com 16 salas e um centro cirúrgico ambulatorial com oito salas.
 
Segundo o diretor do Centro Cirúrgico do HC, professor Antonio Gonçalves de Oliveira Filho, a modernização abrangeu praticamente todas as especialidades cirúrgicas. Para a ampliação do parque tecnológico do Centro Cirúrgico foram realizadas várias reuniões com docentes do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.Não se trata apenas de modernizar nosso parque tecnológico e manter um desenvolvimento consistente em ensino, pesquisa e tecnologia. Quando se fala em novas tecnologias para cirurgia, buscamos além disso, ter presente todos os desenvolvimentos científicos que estão dando margem a evolução cirúrgica e o bem estar aos pacientes, com procedimentos cada vez mais rápidos, seguros e menos invasivos”, explica Oliveira Filho.
 
Sistema de micromotores cirúrgicos – O investimento do HC foi nesses equipamentos foi de R$ 590.000,00. São equipamentos importados do Japão e empregados em cirurgias e microcirurgias de diversas especialidades como ortopedia; crânio-maxilo-facial; medicina esportiva; plástica; coluna; neurocirurgia, cabeça e pescoço entre outras. Os equipamentos serão utilizados em cirurgias de pequenos ossos, fragmentos e tecidos. A vantagem é que o sistema oferece várias possibilidades operatórias ao cirurgião, como perfuração, corte, desgaste, polimento e passagem de fio em estruturas rígidas.
 
Por ser um sistema elétrico, elimina a utilização de nitrogênio e ar comprimido, o que garante mais segurança aos profissionais envolvidos na cirurgia, assim como ao paciente. Os micromotores são silenciosos, sem aquecimento, de fácil manutenção, com peças de mão ergonômicas de engate rápido, e é autoclavável (peças são esterilizadas). O equipamento dispõem de pedal que permite maior controle da velocidade, vem com sistema de irrigação embutido e peças de mão em formatos que facilitam o manuseio. Outros benefícios dos novos micromotores incluem a melhora das condições técnicas cirúrgicas, otimização do tempo de cirurgias e aumento da qualidade do atendimento.
 
Arcos cirúrgicos – Maior rapidez, precisão nos procedimentos cirúrgicos e vasculares, além de uma excelente qualidade de imagem. São características de um dos mais modernos arco cirúrgico disponível no mercado mundial e agora, incorporado ao HC neste ano. O arco-cirúrgico é um equipamento essencial para oferecer segurança aos cirurgiões, já que trabalha com aquisição e visualização de imagens em tempo real e pode integrar o sistema PACS do hospital. O HC adquiriu três equipamentos totalizando R$ 1.080.000,00. O arco cirúrgico tem várias funções, como subtração digital para estudos angiográficos (dos vasos sanguíneos), estudo dinâmico de articulações, colunas e cavidades.
 
O arco-cirúrgico é para ser utilizado em procedimentos minimamente invasivos e cirurgias de várias especialidades como as ortopédicas, vasculares, cardíacas, urológicas, abdominais, neurológicas e no implantes de marca passos. Com excelente qualidade de imagem em uma grande variedade de aplicações clínicas, cirúrgicas e vasculares aonde quer que sejam necessárias, o arco-cirúrgico é um equipamento essencial para área de urgência de um hospital, centro cirúrgico, UTI ou em qualquer local onde houver necessidade de exames de aquisição de imagens para procedimentos intervencionistas ou cirúrgicos.
 
Dermatomo elétrico e expansor de pele – Os equipamentos empregados pela cirurgia plástica reparadora auxiliam pacientes que tiveram grandes perdas decorrente de queimaduras desfigurantes, seqüelas após acidente ou pós-cirúrgicas como oncologia, por exemplo. São importantes para a reconstituição da pele, mas alguns possuem peculiaridades na função como o dermátomo, que faz a retirada do enxerto com mais precisão, conforto e agilidade tanto para o profissional médico como ao paciente. Já o expansor serve para realizar enxertos em pacientes com pouca área de pele como vítimas de queimaduras em grande parte do corpo, em que a cicatriz é desfigurante. Os equipamentos custaram ao Hospital de Clínicas R$ 371.000,00.
 
Outra característica do dermatomo elétrico é a possibilidade de corte precisos de até 0,030 polegadas (0,76mm) em incrementos de 0,002 polegadas (0,05mm) facilmente ajustáveis. Significa cortar algo semelhante a espessura de uma folha de papel ou casca de um tomate. Já o expansor de pele permite que um segmento de pele retirado pelo dermátomo, geralmente extraído das partes em que a pele está conservada e de preferência em um local menos visível, por questões estéticas, possa aumentar entre 10% e 50%. Isso possibilita uma maior cobertura da área lesionada.
 
Os equipamentos também permitem a melhora a qualidade da enxertia e proporcionam uma boa recuperação dos pacientes. A primeira paciente operada no hospital com esses equipamentos é do trauma e foi vítima de acidente de carro com grande perda da pele com musculatura exposta. “O HC não é referência em tratamento de queimados, mas com o dermátomo elétrico poderemos atender com mais qualidade pacientes que sofreram queimaduras, uma vez que o equipamento é o mesmo usado nos centros referência nesse tipo de atendimento”, explica o cirurgião plástico Paulo Kharmandayan.
 
Cistoscópio rígido infantil e instrumentais – A cistoscopia é empregada por urologistas pediátricos e permite a visualização ótica dos segmentos uretrais e da bexiga (vias urinárias baixas). O equipamento é importante para o diagnóstico e indicação de tratamento de tumor de bexiga e uretra; avaliação da anatomia uretral, prostática e vesical; diagnóstico de patologias vesicais, podendo ser realizado biopsia endoscópica; diagnóstico e avaliação de distúrbios do trato urinário; auxílio na determinação da causa de dor ao urinar e diagnóstico de infecções recorrentes da bexiga, bem como  para realizar biópsia quando indicado. O investimento foi de R$ 121.500,00.
 
O novo sistema de cistoscopia emprega um conjunto de lentes acopladas a uma câmera e uma fonte de luz que possibilita aos cirurgiões uma ampla variedade de pinças flexíveis, tesouras e eletrodos com alavanca de controle ergonômica e que pode ser integrada a sistemas especiais para procedimentos a laser.
 
Laser cirúrgico – O HC Unicamp foi o primeiro hospital do País a incorporar dois equipamentos de última geração para microcirurgias com laser de CO2. Os equipamentos, importados da Itália, permitem cirurgias minimamente invasivas com alta precisão, em que o feixe de laser é aplicado através de uma fibra óptica por endoscopia, preservando tecidos, além de pouca reação inflamatória e dor no pós-operatório. No HC, as áreas beneficiadas serão de cirurgia de cabeça e pescoço, otorrinolaringologia, dermatologia, cirurgia plástica, urologia, odontologia e cirurgia torácica. O investimento foi de R$ 694.000,00 e a previsão é duplicar o número de procedimentos com os novos equipamentos.
 
A aquisição dos novos equipamentos está proporcionando uma qualidade pós-operatória incomparável com os métodos tradicionais de cirurgias sem o laser. Em geral, as retiradas de grandes lesões verrugosas, nódulos e tumores em cavidades orais (garganta, laringe, faringe, tireóide, paratireóide etc) implicavam em grandes incisões e que era muito agressivas para os tecidos locais, ocasionado dor e muitas vezes, a necessidade de uma traqueostomia. A tecnologia do equipamento garante uma boa cicatrização e menor tempo cirúrgico, favorece a alta hospitalar ao paciente em 24 horas e sem o uso sonda nasoenteral, muito comum nas cirurgias tradicionais.
 
Sistema de vídeo-endoscopia (Broncoscopia flexível e rígida) – Neste ano começaram a funcionar no Hospital de Clínicas da Unicamp, três broncoscópios flexíveis para uso em adultos e um pediátrico, totalizando cerca de R$ 290 mil. Outro broncoscópio rígido foi adquirido por R$ 385 mil e deverá ser entregue em junho. Os equipamentos permitem a visualização das fossas nasais, nasofaringe, laringe, traquéia e brônquios e são utilizados para diagnosticar doenças (tumores, infecções, estenoses etc), fazer biópsias, coleta de secreção ou para aspiração de um corpo estranho, acidente muito comum e freqüente em crianças.
 
Os equipamentos de broncofibroscopia funcionam com fibras óticas e são acompanhados de pinças, cateteres e agulhas de punção. É o procedimento diagnóstico mais comumente utilizado para diagnosticar e estadiar o câncer de pulmão. A anestesia é imprescindível, tanto para evitar dor como para inibir os reflexos de ânsia de vômito e de tosse. Os broncoscópios rígidos são empregados para em dilatações e microcirurgias de estenoses da traquéia e brônquios; na colocação de próteses na laringe, traquéia ou brônquios (stents); em procedimentos cirúrgicos para desobstruir, paliativamente, a traquéia ou brônquios invadidos por tumores de outros órgãos como: esôfago, pulmão, mediastino, etc; e na colocação de dispositivos para uso de radioterapia (braquiterapia). Também utilizado para controlar sangramentos volumosos das vias aéreas.

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Caius Lucilius com Caroline Roque
Assessoria de Imprensa do HC Unicamp